Travis... I´m too Busy Holding up the World


1696 - Ano de transição

  • Em 1696 foi condenado à morte o estudante de Teologia de 18 anos Thomas Aikenhead. Seu "crime": uma piada contada aos seus colegas de estudos. Estava tão frio que ele preferia o calor do inferno. Foi denunciado e encarcerado. Veio-se a descobrir que este livre pensador já tinha expresso algumas ideias pouco ortodoxas e desfavoráveis ao cristianismo.
  • Em 1696, o Parlamento Escocês aprovou o "Act for setting schools". Cada paróquia escocesa deverá ter pelo menos uma escola e empregar um professor. Todos os escoceses deverão aprender a ler (um luxo reservado aos nobres, na altura). O objectivo: que todos os escoceses possam ler as escrituras sagradas. Já em 1560, John Knox defendera na sua obra "Livro de disciplina", a instauração de um sistema de educação nacional.

O resultado é surpreendente. No espaço de uma geração, a educação tinha-se tornado gratuita. Algo de pouco comum senão inédito no século 18. Nos finais do século 18 a Escócia tinha-se tornado no país com a menor taxa de analfabetismo do mundo. Visitantes ingleses admiravam-se com o facto de neste país, que nem sequer era muito rico, até os pobres eram ensinados a ler.

É neste período que intelectuais escoceses de renome internacional como David Hume ou Adam Smith ou inventores como James Watt surgem na linha da frente do progresso científico mundial.

A Escócia tinha-se tornado a primeira nação europeia alfabetizada. Isso significava que estava criada uma audiência não apenas para a Bíblia mas para outros livros também. À medida que no século 18 a censura afrouxava, verificou-se uma autêntica explosão de produção literária. Mesmo as pessoas de posses mais modestas tinham agora a sua própria colecção de livros. Aqueles que não os podiam comprar tinham agora a possibilidade de os emprestar nas bibliotecas públicas escocesas, que por volta de 1750 existiam em virtualmente todas as cidades, de qualquer tamanho.

Por exemplo: em Innerpeffray, uma povoação perto de Crieff em Perthshire. Os registros da livraria pública desta pequena povoação entre os anos de 1747 e 1800 dão conta das pessoas que tomaram livros emprestados para sua casa. A lista inclui o padeiro local, o ferreiro, lavradores, pedreiros, alfaiates e empregadas domésticas. Entre os livros emprestados contavam-se muitos livros religiosos mas mais de metade eram livros de temas seculares. Encontramos nesta lista obras de John Locke, o naturalista do iluminismo francês George-Louis Leclerc de Buffon e o historiador escocês William Robertson.

 

 



Escrito por Veridiana às 17h24
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Faziam 6 meses que eu não atualizava este blog.Eu confesso que porque cada vez que entro tudo parece estar como sempre, além de que a banda está sem grandes novidades.Sabemos que estão no estúdio.

Dessa vez eu trago um pouco da história da Escócia, para os além de apaixonados pelo Travis, pela Escandinávia, aquela terra distante e encantadora! Essas informações foram tiradas da http://pt.wikipedia.org

Reforma Protestante

A história da Escócia encontra-se a partir do século XVI sob o signo da Reforma Protestante. A face da Escócia irá mudar completamente pela mão de Calvinistas como John Knox. Apesar das perseguições que lhe foram movidas, John Knox é a figura carismática que está na base da Kirk, a igreja presbiteriana escocesa. Na linha do Calvinismo, a igreja presbiteriana pretende erradicar a influência da igreja católica na Escócia. Recusa a idolatria de santos, relíquias e de figuras ornamentais. Acabou com determinadas formas de divertimento colectivo tais como o carnaval ou as celebrações de Maio. É imposta uma estricta proibição do trabalho ao domingo, quase tão rigorosa como a dos judeus ortodoxos no Shabbat - pessoas podiam ser presas por depenar uma galinha ao domingo. Os jogos de cartas foram banidos. A igreja presbiteriana escocesa professa o comportamento purista (ou puritano) de todos segundo a moral cristã e seus valores. Fornicação é punida severamente, mesmo com o exílio. Adultério é punido com a morte.

O paradoxo da história da Escócia é que este fundamentalismo religioso dos séculos XVI e XVII, que instauraram aquilo que foi quase uma teocracia, é também o fundamento para o desenvolvimento do iluminismo escocês, a tolerância religiosa, o capitalismo, numa palavra, a modernidade.

Este paradoxo fica bem patente nos acontecimentos do ano de 1696, que se pode dizer que foi um ano de transição entre o predomínio do fundamentalismo religioso para o sistema de social que consideramos hoje moderno.



Escrito por Veridiana às 17h18
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